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Música e o “novo normal”

O “novo normal”… expressão que tanta gente usa e abusa desde março. A pandemia veio então ditar um “novo normal”, a forma como as coisas se devem processar agora, depois de termos sido afetados de surpresa por este inimigo invisível.

O “novo normal”… expressão que tanta gente usa e abusa desde março. A pandemia veio então ditar um “novo normal”, a forma como as coisas se devem processar agora, depois de termos sido afetados de surpresa por este inimigo invisível. 

A verdade é que este “novo normal” não é tão simples de implementar e viver para toda a gente, para todas as profissões. Uma das profissões mais afetadas tem sido a dos músicos. A verdade é que as artes de espetáculo, todas, têm sofrido bastante com esta pandemia, mas vou-me focar nos músicos neste texto. A atividade musical é adorada por todos e por todas, seja para que momento for, seja para diversão noturna, para embalar os filhos, para desatinar com alguém, para bater na almofada, para beijar a almofada, para um jantar romântico, para diversão em festival de verão, para qualquer coisa. A música acompanha vários momentos da nossa vida, mas nós não acompanhamos os vários momentos da vida da música.

Quando vamos a um concerto, daquela banda cujas letras sabemos de cor, não estamos só a ver a banda, estamos a ver a banda que compôs as músicas e as gravou no estúdio de alguém, que as misturou e que as compilou, vemos os técnicos que montaram o palco, vemos os técnicos que montaram as luzes e que trabalham as luzes para que o espetáculo musical seja acompanhado de um excelente espetáculo de luzes, vemos os técnicos que montaram o som, que equalizaram o som para tu sentires aquele acorde no coração, para tu te emocionares com o falsete do vocalista ou com o solo de guitarra grandioso que aquele guitarrista está ali a tocar para ti, vemos o road manager que tratou de tudo para os músicos só terem que se preocupar em chegar ao palco e dar um excelente espetáculo, vemos os seguranças, vemos os donos das salas de espetáculo, vemos muita gente… E, nos dias de hoje, vemos muita gente em dificuldades…

Quando oiço que a música tem que se adaptar ao novo normal, reparo que esse alguém está afastado da realidade do que é ser músico, do que é viver da música, do que é ser amante e ouvinte de música, do que é sentir música. O streaming/serviços digitais de música pode, e deve, ser um complemento, ajuda a música de um artista a chegar a mais pessoas, a pessoas que não podem sair de casa para os ouvir e ver, a pessoas que ainda não se sentem seguras para sair de casa com medo de contrair o covid-19, mas o streaming não pode ser o novo normal da música.

É possível a organização de concertos respeitando as regras de segurança e saúde, é possível que técnicos voltem a montar um espetáculo grandioso para músicos voltarem a deixar pessoas de boca aberta e lágrima no canto do olho depois de um concerto, isso sim é o novo normal e o antigo e o do futuro. Viva a música!

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