Categorias

O que é que os Videojogos me ensinaram

Não foi assim à tanto tempo que o facto de um jovem dedicar parte do seu tempo a jogar videojogos tinha uma conotação extremamente negativa. Falta de desenvolvimento de skills sociais a ser apontado como o principal factor negativo para suportar este argumento.

Não foi assim à tanto tempo que o facto de um jovem dedicar parte do seu tempo a jogar videojogos tinha uma conotação extremamente negativa. Falta de desenvolvimento de skills sociais a ser apontado como o principal factor negativo para suportar este argumento. Tudo isto associado a um estilo de vida mais sedentário associado a esta actividade e também as notícias que nos chegaram de países como a China e Coreia do Sul de alguns jovens que ultrapassaram o limite do razoável e que infelizmente acabaram por falecer em frente a um computador nos cyber cafés que ainda proliferam nesses países acabaram por alimentar um estigma que acaba por atrasar e prejudicar de uma forma quase fatal o crescimento de uma indústria que hoje é maior em termos económicos que Hollywood.

O que mudou?

A verdade é que o primeiro passo foi o aparecimento da internet de alta velocidade que acabou por se tornar de fácil acesso na maioria dos países desenvolvidos que serviu de catalizador para a mudança da imagem desta actividade o que acabou por despoletar estudos de várias entidades de renome como a Columbia University’s Mailman School of Mental Health e a American Psychological Association demonstraram que a maioria dos sujeitos testados, na sua maioria crianças entre os 6 e os 15 anos, acabaram por desenvolver maiores capacidades cognitivas, criativas e motivacionais.

Tudo isto leva à pergunta fundamental feita neste artigo que me levou numa viagem introspectiva de forma a poder perguntar a mim mesmo. O que é que os videojogos me ensinaram?

A verdade, que caso tenham lido o meu artigo de apresentação, certamente já saberão que desde os meus 14 anos (tenho agora 30) dediquei grande do meu tempo à indústria dos videojogos mas sempre na vertente competitiva. Construí algum sucesso em termos desportivos, mas acima de tudo foram o ponto de partida para a construção de uma carreira que acabou por me permitir trabalhar com uma empresa incrível como a Webedia Portugal. Mais profundamente, os benefícios para mim considero que acabam por ser mais profundos que os três fatores mencionados anteriormente, a verdade, é que desde os meus dezasseis anos que os meus pares no mundo dos desportos eletrónicos se sentiram confortáveis em entregar à minha pessoa a responsabilidade de liderar e gerir as equipas das quais faziamos parte, tudo isto inclui, por exemplo, gerir um grupo de cinco pessoas em situações de alta pressão desportiva, decidir a estratégia e o caminho que uma equipa deve seguir de forma a construir uma estratégia de marketing sempre com acesso extremamente limitado a recursos. O que considero que me deu uma enorme capacidade de liderança. Algo que pode ser inato a qualquer pessoa, porém, se essa capacidade inata não for nutrida e estimulada, é o mesmo que nada. A verdade é que na sociedade atual, muitos são os que dizem que mandam, poucos são os que são verdadeiros líderes e apesar de tudo, eu sinto que essa capacidade acabou por ser de extrema importância no meu crescimento pessoal.

O segundo factor que escolhi para partilhar com o leitor sobre aquilo que os videojogos me ensinaram ao longo dos anos, é mesmo a capacidade de gestão pessoal e de recursos, podemos pensar pura e simplesmente nos jogos de estratégia e a resposta típica é: “Mas o quê? Tas a gerir milhões do Real Madrid no Football Manager… Mas é tudo a fingir pa!!”. Mas será? A verdade, especialmente se for o clube do vosso coração, o investimento emocional envolvido num savegame de Football Manager é fora de série. Eu sou sportinguista, e digo-vos, não há sensação melhor que agarrar no meu clube e ser tricampeão da Champions League. E desenganem-se! Não é toda a gente que tem a capacidade de obter este tipo de resultados neste jogo, não é uma questão de pura e simplesmente por os jogadores a jogar, gestão financeira, de orçamentos, do momento motivacional da equipa, das personalidades dos jogadores e dos calendários da equipa com as suas cargas de trabalho inerentes, são algumas das coisas que um jogador deste jogo tem de fazer. É uma simulação? É.. Mas a cada ano que passa vai-se aproximando cada vez mais da realidade.

De uma forma geral eu afirmo aqui. Sem os videojogos, as competências profissionais que me permitem trabalhar numa empresa como a Webedia Portugal nunca se teriam desenvolvido.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *